Era a tarde de 8 de novembro de 1957. Enquanto o mundo vivia o auge das tensões da Guerra Fria e a corrida espacial dava seus primeiros e decisivos passos, os céus de Maceió roubaram a atenção de seus moradores para um espetáculo inexplicável. Um objeto voador não identificado (Óvni), descrito como metálico e brilhante, paralisou o cotidiano do centro da capital alagoana. Quase sete décadas depois, o episódio ressurge como um dos relatos mais intrigantes e bem documentados da ufologia local.
A discussão sobre vida extraterrestre e fenômenos aéreos anômalos ganhou, nos últimos anos, contornos de seriedade institucional. Com a recente retirada de sigilo de documentos pelo governo dos Estados Unidos, incluindo relatórios militares e vídeos do Pentágono, velhos mistérios ao redor do globo foram desenterrados. E Alagoas, que há muito carrega sua própria cota de relatos cósmicos, tem no “Incidente de 1957” sua joia da coroa.
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Auge da Guerra Fria e início da corrida espacial. O Brasil vive uma das maiores “ondas ufológicas” de sua história, com diversos avistamentos reportados às autoridades.
Um grupo de jovens, incluindo Rosa Calheiros, sai do Colégio Sacramento, no bairro do Farol. Ao olharem para a região da Catedral Metropolitana, no Centro, avistam o objeto em formato de meia-lua.
O fenômeno atrai a atenção de várias pessoas na rua, paralisando o Centro. Entre as testemunhas oculares estão desembargadores e autoridades da Corte alagoana.
O Óvni, que refletia a luz do sol com sua cor entre cobre e prata, desce levemente antes de subir em alta velocidade em direção ao mar, sumindo no horizonte.
Testemunhas de Peso e o Avistamento
O que torna o caso maceioense particularmente notório não é apenas a natureza do objeto, mas o calibre das testemunhas. Naquele dia, a passagem da aeronave de formato incomum não ocorreu na surdina da madrugada, mas em plena luz do dia, sendo observada por figuras de destaque da sociedade alagoana. Entre os atônitos espectadores, os registros históricos apontam a presença de desembargadores como Gomes de Melo e Levan Machado, além do Dr. Ébert Costa, então secretário da Corte.
Relatos veiculados pela imprensa da época dão conta de um objeto com movimentação anômala, que se deslocava de norte a sul refletindo intensamente a luz solar. A comoção tomou conta das ruas. Moradores ligaram freneticamente para as rádios e para as redações de jornais tentando entender se estavam diante de uma arma secreta estrangeira, de um fenômeno natural inédito ou de visitantes de outro mundo.
“Gritamos: é um disco voador!”
A memória do evento, contudo, não sobrevive apenas em arquivos de jornal. Para aqueles que presenciaram a cena, a imagem continua vívida. É o caso de dona Rosa Calheiros, que à época tinha 17 anos.
“Gritamos: é um disco voador! Viva, viva! Estava muito alto, parado no ar, tinha um formato de meia-lua e era de uma cor entre cobre e prata, que refletia a luz do sol. Depois de um tempo, ele desceu um pouco e, em seguida, subiu em direção ao mar, desaparecendo.”
A idosa, hoje octogenária, recorda que o avistamento ocorreu logo após ela e um grupo de amigos saírem de uma palestra. Ao pararem no mirante próximo ao Colégio Sacramento, no bairro do Farol, lançaram o olhar em direção à Catedral Metropolitana, no Centro. Foi lá, flutuando imponente e silencioso sobre o coração da cidade, que o misterioso objeto em formato de meia-lua foi eternizado na memória de quem teve a sorte de olhar para cima.
Do Passado ao Presente: A Era Viral e o “Caso Mayke”
Se em 1957 o assombro tomou conta das ruas físicas, hoje o palco para o inexplicável é puramente digital. A prova de que o tema continua despertando o mesmo fascínio é o recente e badalado “Caso Mayke”.
Morador da zona rural de Campo Largo, no Paraná, o influenciador Mayk Leão parou a internet ao registrar luzes coloridas de proporções imensas rasgando o céu e ruídos que não se assemelhavam a nada terrestre. A experiência bizarra, compartilhada em suas redes, gerou milhões de visualizações e fomentou uma onda de debates online.
Enquanto os relatos de Maceió nos anos 50 dependiam de testemunhas oculares olhando para a Catedral no susto, os avistamentos de hoje – como o de Mayke – ganham o mundo em tempo real, viram trends nas redes e atraem tanto curiosos obstinados quanto céticos ferrenhos. A tecnologia de registro mudou, mas a nossa reação diante do céu noturno continua a mesma.

Um Enigma Preservado no Tempo
Enquanto radares do sistema de defesa aérea e caças da Força Aérea Brasileira tentavam, sem sucesso em diferentes partes do país, interceptar luzes velozes durante a grande onda ufológica de 1957, o fenômeno que parou o Centro de Maceió seguiu sem respostas oficiais conclusivas. Especialistas modernos e céticos chegaram a sugerir fenômenos astronômicos, mas a intersecção do formato singular, do reflexo metálico e das manobras contrariando as leis da aerodinâmica convencional garantiram o status lendário do caso.
Hoje, enquanto a ciência e a inteligência militar global se debruçam novamente sobre o fenômeno dos Óvnis, a velha Maceió dos anos 50 guarda seu segredo prateado. Para os que estavam lá, não há relatório que mude a certeza do que viram: naquele 8 de novembro, Alagoas foi palco do inexplicável.
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