A recente aprovação pela Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) da concessão do título de Cidadão Honorário ao senador fluminense Flávio Bolsonaro expõe uma realidade frustrante na política estadual. A honraria, que gerou imediata e justificada reação de opositores, especialmente da bancada petista, levanta um questionamento inevitável entre os eleitores: até quando o parlamento estadual vai gastar energia, tempo e recursos públicos com medidas puramente simbólicas e politiqueiras?
Enquanto o estado de Alagoas segue enfrentando desafios históricos e urgentes – como as longas filas de espera nos hospitais públicos, os gargalos na educação básica, os índices preocupantes de violência e a necessidade constante de fomento à geração de emprego e renda –, os parlamentares decidem pautar, debater e votar um título honorífico para um político do Rio de Janeiro cuja atuação tem pouco ou nenhum impacto prático na realidade local. Trata-se de uma verdadeira perda de tempo institucional.
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Para entender a gravidade desse desvio de foco, é fundamental resgatar as reais funções da Assembleia Legislativa. O papel constitucional de um deputado estadual vai muito além de atuar como um distribuidor de placas, medalhas e homenagens. As principais atribuições da ALE incluem:
- Legislar: Propor, debater e aprovar leis de competência estadual que tragam melhorias e soluções concretas para a vida dos alagoanos.
- Fiscalizar o Poder Executivo: Acompanhar rigorosamente as ações do Governo do Estado, garantindo que o dinheiro dos impostos seja aplicado com transparência e eficiência.
- Debater e Aprovar o Orçamento: Definir onde e como os recursos do estado serão investidos anualmente, assegurando que áreas vitais como saúde, educação, infraestrutura e segurança pública sejam priorizadas.
- Representar a população: Ser a voz dos anseios populares e atuar na formulação de políticas públicas.
Quando a Casa de Tavares Bastos utiliza seu precioso tempo regimental e suas sessões plenárias para condecorar aliados políticos de fora do estado, priorizando acenos à polarização nacional, ela falha no seu dever básico. O povo alagoano não elegeu seus representantes para entrarem em disputas ideológicas vazias que dominam a internet, mas sim para apresentarem projetos de lei que mudem, de fato, a vida de quem mais precisa.
Essa política de afagos partidários é, no mínimo, um desrespeito com o cidadão que pega transporte público lotado diariamente, que luta para colocar comida na mesa ou que sofre com a falta de saneamento básico em seu bairro. A Assembleia Legislativa de Alagoas precisa rever com urgência a sua pauta e voltar a concentrar seus esforços no que justifica a sua existência: o trabalho legislativo sério e voltado para o desenvolvimento do povo alagoano.
Confira a entrevista exibida no GazetaNews:
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