Em um bate-papo com o portal MCZ1, Messias Mendonça, presidente do Grupo Gay de Maceió (GGM) e figura histórica na defesa dos direitos humanos no estado, falou sobre os impactos e a importância da Semana da Diversidade em Alagoas. Mais do que celebração, o evento se consolida no calendário alagoano como uma ferramenta vital para a promoção da cultura, o exercício da cidadania e o enfrentamento direto à LGBTfobia.
Durante a entrevista, Messias ressaltou que a mobilização ganha força justamente por não fechar os olhos para a complexidade da própria comunidade.
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A união de diferentes realidades
Um dos pontos altos da fala do presidente do GGM foi a necessidade de reconhecer que o movimento LGBTQIA+ não é homogêneo. A Semana da Diversidade tem o desafio — e o mérito — de colocar lado a lado vivências completamente distintas.
“Temos realidades muito diferentes dentro da nossa própria comunidade. As dores e os desafios de quem está na periferia não são necessariamente os mesmos de quem está em outros espaços. O evento consegue reunir esses diferentes contextos sociais, econômicos e raciais, criando uma rede de apoio e um espaço onde todos podem ser ouvidos”, explicou Messias.
Cultura e cidadania como resistência
A programação da Semana da Diversidade foi estruturada para ir muito além do ativismo tradicional. Ao integrar manifestações artísticas e fomento à cidadania, o movimento busca mostrar a potência social da comunidade alagoana.
Para Messias, ocupar os espaços públicos com arte, informação e serviços é uma das formas mais eficazes de combater o preconceito. “A cultura educa e transforma. Quando mostramos a nossa arte e exigimos nossos direitos de forma organizada, estamos rebatendo o ódio com visibilidade e inteligência”, pontuou.
O fim das “caixinhas”: quebrando estereótipos
Messias Mendonça também aproveitou o espaço para fazer um apelo urgente à sociedade alagoana: a necessidade de romper com os clichês que ainda perseguem a população LGBTQIA+.
Segundo o ativista, eventos como a Semana da Diversidade funcionam como uma vitrine crucial para desconstruir o olhar limitado de parte da população.
“Precisamos quebrar esses estereótipos associados a nós. Nós somos plurais. Somos médicos, professores, artistas, advogados, trabalhadores informais. Não cabemos na caixinha do preconceito e a nossa orientação sexual ou identidade de gênero não nos define como menos capazes ou menos dignos de respeito e oportunidades”, cravou.
A Semana da Diversidade em Alagoas mobiliza a capital com uma agenda diversificada, incluindo debates, rodas de conversa, apresentações culturais e ações afirmativas, reforçando que o orgulho e a luta por igualdade caminham sempre juntos.


