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Febre Analógica: A tradição das figurinhas da Copa que desafia a era digital em Alagoas

Publicado em 11/05/2026 às 12:41

A Copa do Mundo da Fifa de 2026 só acontece entre junho e julho, mas para muitos alagoanos, a competição já começou fora dos gramados. Em plena era de telas, redes sociais e inteligência artificial, o hábito totalmente analógico de completar o álbum de figurinhas do Mundial prova que há tradições que não perdem a majestade.

Em Alagoas, colar as figurinhas deixou de ser um passatempo isolado. Nos três shoppings de Maceió e no Centro Comercial de Arapiraca, pontos oficiais de troca reúnem desde crianças pequenas descobrindo o “bafo” até colecionadores veteranos revivendo o brilho no olhar da própria infância.

Uma paixão de pai para filho

Para Joao Lucas, de 11 anos, a mágica está começando agora. Influenciado pelos amigos da escola e do jiu-jítsu, ele conta com a ajuda dos pais para colar os primeiros cromos.

“É a oportunidade de ele viver um pouco do que o pai dele viveu na infância, nos anos 1990”, conta a mãe, Elian Marques. “Aprender a esperar a figurinha desejada, empolgar-se abrindo o pacotinho, trocar repetidas com os colegas e carregar o álbum debaixo do braço.”

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Do outro lado do balcão da experiência está o motorista Ewerton dos Santos, 32 anos, que coleciona desde 1999. Hoje, a brincadeira é compartilhada com o filho de seis anos, consolidando a ponte entre as gerações.

“O cheiro dos envelopes, a emoção de abrir os pacotes… tudo voltou como se eu nunca tivesse parado. É impressionante como um álbum aproxima pessoas tão diferentes”, relata Ewerton.

O gigante de 980 cromos e o fim de uma era

O desafio para a Copa de 2026 atingiu níveis inéditos: com a expansão do torneio para 48 seleções, o álbum saltou para imensos 980 cromos (300 a mais que na edição de 2022 no Catar). Os envelopes, que vêm com sete figurinhas, estão sendo vendidos a R$ 1 cada.

Enquanto a criançada lamenta a ausência de Neymar — como o adolescente João Guilherme, de 13 anos, que compensa a falta do ídolo vencendo os amigos no famoso jogo de “bafo” —, o destaque absoluto das páginas brasileiras tem sido Vini Jr. O craque brilha inclusive nas cobiçadas figurinhas especiais “Legends”, dividindo a rara categoria com astros globais como Messi, Mbappé e Cristiano Ronaldo.

O lançamento deste ano também carrega um peso histórico: é a última Copa sob a chancela da editora italiana Panini, que mantinha parceria com a Fifa desde 1970. A partir de 2031, a produção do álbum passará para a norte-americana Topps.

O digital como aliado

Se as telas às vezes isolam, na época de Copa elas viram atalhos para fechar o álbum. O fotógrafo Marcus Vinícius, de 23 anos, usa as redes sociais para impulsionar suas trocas e driblar os custos.

“Postei que estava colecionando e rapidamente um amigo já respondeu perguntando se eu tinha repetidas. A gente combina o encontro e faz a troca de forma natural”, explica ele, que já garantiu 150 cromos usando a estratégia.

A magia do imprevisível

A movimentação tem sido intensa nos espaços de troca da capital. No Maceió Shopping, por exemplo, o ponto dedicado aos colecionadores seguirá aberto até o dia 31 de julho.

Para Lilian Soriano, uma das responsáveis pelo espaço, o sucesso das figurinhas se explica justamente por aquilo que o ambiente virtual não consegue reproduzir. “As figurinhas Legends são as mais procuradas, mas a magia real está no mistério do envelope fechado”, conta.

“Muitas pessoas começaram na infância e hoje passam isso de geração em geração. A internet informa, o digital é prático, mas o álbum proporciona sentimento, interação humana e memória afetiva”, resume Lilian.

Nota da Redação: O MCZ1 preza pelo compromisso da informação correta. Erros? Comunique via redacao@mcz1.com.br.
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