Polícia

A Acarreação Cid-Braga Netto no STF: Contradições Persistem sobre Entrega de Dinheiro no Alvorada

Por Redação MCZ1
Publicado em 24/06/2025 às 20:15
A Acarreação Cid-Braga Netto no STF: Contradições Persistem sobre Entrega de Dinheiro no Alvorada

Nesta terça-feira (24), o Supremo Tribunal Federal (STF) sediou uma acareação entre o tenente-coronel Mauro Cid e o general Braga Netto, ambos investigados em inquéritos que tramitam na Corte. O foco central: a suposta entrega de uma sacola com dinheiro em espécie no Palácio da Alvorada, residência oficial do então presidente Jair Bolsonaro, onde Cid atuava como ajudante de ordens. A acareação, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, a pedido das defesas, visava esclarecer as divergências entre os relatos dos dois militares.

Cid reiterou sua versão, afirmando ter recebido a sacola lacrada de Braga Netto, contendo uma quantia em dinheiro cujo valor estimou apenas pelo peso da embalagem, que descreveu como sendo de vinho. Ele alegou não ter aberto a sacola e, portanto, não ter visto o conteúdo. A justificativa para não ter mencionado o episódio em seu primeiro depoimento, segundo Cid, foi o impacto emocional da prisão de colegas. Quanto à localização exata da entrega, Cid apresentou certa incerteza, citando a garagem privativa, a sala da ajudância de ordens ou o estacionamento próximo à piscina do Alvorada. Braga Netto, por sua vez, negou veementemente a entrega de qualquer quantia, afirmando que apenas repassou ao tesoureiro do PL, coronel Azevedo, um pedido de recursos feito por Cid, pedido este que foi posteriormente negado. A defesa de Braga Netto solicitou a gravação da acareação, pedido indeferido pelo ministro Moraes, que justificou a decisão para evitar pressões e vazamentos que pudessem prejudicar a investigação. O ministro assegurou que a ata completa será divulgada após ser anexada aos autos. Apesar da acareação, as contradições entre os depoimentos persistem, com Cid insistindo na versão de que Braga Netto prometeu conseguir o dinheiro por outro meio e o entregou posteriormente no Alvorada. Esse episódio está intrinsecamente ligado à delação premiada de Cid, homologada por Moraes, onde o militar descreve o repasse do dinheiro, supostamente recebido de Braga Netto, para Rafael Martins de Oliveira, ex-assessor especial da Presidência. A delação de Cid abrange outros temas relevantes, como a investigação sobre tentativa de golpe de Estado, a venda de joias, fraude em cartões de vacinação e articulações com militares.

O desfecho da acareação deixa a dúvida sobre a veracidade dos fatos em aberto. A contradição entre os depoimentos de Cid e Braga Netto persiste, e a divulgação da ata completa da acareação pelo STF será crucial para o prosseguimento das investigações. A delação de Cid, com o seu sigilo derrubado por Alexandre de Moraes, alimenta ainda mais o cerne das investigações em andamento no STF, as quais prometem novas reviravoltas e desdobramentos nos próximos meses.